sábado, 9 de fevereiro de 2008

Crônica2

Memória Anti-virtual


Uma recordação. Uma memória qualquer. Não em fotos. Não em blogs, fotologs e outros logs. Uma recordação. Uma memória qualquer. Nada de scraps ou comunidades. Nada de
vídeos. Nada de emoticons. Uma recordação. Uma memória qualquer. Nada de nada.

Eu quero ser sem IP.

E se até o HD se for, virei a ser. Não sei o que.

Uma recordação. Uma memória qualquer. Sei que sou mais, estou por detrás da retina - mais que um segundo, mais que 7 megapixels perdido junto de outros 200 ou 500 em uma pasta do teu PC.

Sou tátil, quase digital, supra-virtual, anti-virtual. Os bytes de minhas palavras são passiveis de sentimento. Sua ausência, agora, para explicar-te o que digo sugerem sensações e sentimentos que tu não vês, apenas sente. Falta então gravar-me em tua memória sem pixels ou ids, pois não caibo somente no quadrado visível do teu monitor.

É difícil eu sei, nenhum servidor me comporta. Uma recordação. Uma memória. Sou eterno em qualquer sentido, não apenas em áudio e vídeo. Sou pior que trojan, que vírus, pois para onde vou não adianta formatar um HD. E mesmo se matam um homem que a mim carrega e espalha, da morte fortalece minha lembrança, até no seu findar enriqueço em Ids.

Meu nome, meu conceito é intangível para fazê-los arquivo, mesmo com áudio e vídeo, mesmo com mil blogs com mil fotos cada, mesmo com scraps, fãs e 600 comunidades. À quem, binário, resume a tão pouco suas possibilidades de saber e sentir sou um primeiro parágrafo de uma crônica não concluída, durante quarenta e oito segundos. Sou, porém, eterno aos olhos e ouvidos atentos a quantos gigabytes forem preciso para transcender-se.

Sou o império dos sentidos que se expande. Uma recordação. Um diabo supra-virtual. Uma memória qualquer.

Minha identidade não se imprime com HP.

Felipe Camilo
. 04 de Janeiro de 2008.





Jogar coisas fora

“Estou me acostumando comigo
Revendo a casa, os vizinhos
E os vazamentos
E isso já não me assusta mais”



É necessário jogar coisas fora.

E isso, ao menos para mim, é extremamente difícil.

Simplesmente nos acostumamos a acumular coisas na vida, a arquivar tudo o que por ventura nos passa – achamos que tudo é essencial, vital e esse “é” perdura-se por um tempo inacreditável até apodrecer em um “foi”. As traças são, na verdade, extensões de nossas consciências, elas rasgam o que não nos é mais necessário, encostado no fundo de um armário cheirando a memórias e a mofo, estraçalham aquilo que conscientemente dizemos que uma hora vamos precisar.

É necessário jogar coisas fora.

E isso, ao menos para mim, é extremamente difícil. Mas é o que venho fazendo.
Eu não necessito da metade dos papéis que possuo. Eu viveria muito bem com metade das roupas que acumulo no guarda-roupa. Eu não falo com a metade dos meus contatos do MSN e do Orkut e não tenho 1/6 dos amigos que acredito ter. E estou me livrando do desnecessário um a um.

Não é uma questão de livra-se de alguns papéis inúteis, é abrir espaço para novos. É, antes de esperar que novas e boas coisas lhe aconteçam, preparar-lhes o caminho, acostumar-se com a idéia. Mudar é ruim e bom, mudar, invariavelmente dói. Mas sem mudança, não há evolução e sem evolução, continuamos perdidos em lembranças do que se foi, absortos em preocupações do passado, ligados a pessoas que são ligadas a uma pessoa que você há muito não é mais.

Trilha Sonora: “Me gusta” – Zélia Duncan
Jamie Paula Colares Barteldes Kardozo
09/01/2008

Um comentário:

Unknown disse...

Eu naum queria comentar isso! mas como eu naum achei um lugar pra falar do crítico de cinema eu vou escrever aqui mesmo....
A critica cheia de concessões aos filmizims de roliúdi (ecaaaaaa) piotou foi muintu quando o gênio da SÉTIMA ARTE, DISSE QUE "A MUINTU" O ATORZIM "MIRICIA" UMA ISTATUETA" (ENGUA MEU) PUTA QUI PARIU ISSO É PIOR QUE OS CLICHES DO FILME QUI ELI CRITICA. MERMAUNZIM... PELAMOR DI DEUS RAPAIS... SEJI HOMI E ADIMITA QUI CHORÔ COM O pOTTER E O FRODO QUEIMANDO O ANEL NA ESCOLA DO MORRO DA PERDIÇAUM. ass: INFERNIZANU CÃU & MULAM BENTU